Igualdade e equidade são a mesma coisa?

“Igualdade” é uma das palavras mais poderosas e importantes, para o desenvolvimento da nossa   sociedade como ela é hoje.

É uma palavra que representa equidade, uma palavra que significa justiça, um conceito pelo qual pessoas lutaram e que revolucionou a cultura mundial de inúmeras formas.

Hoje, desafio vocês a pensarem num lado diferente da igualdade, um que nem sempre é positivo.

Minha pergunta é: o incrível conceito da igualdade tem um outro lado? Será que a igualdade pode ser injusta?

Se analisássemos os EUA uns 150 anos atrás, veríamos que eles eram radicalmente diferentes dos EUA que conhecemos hoje.

Por exemplo, naquela época, as mulheres tinham que usar uma saia de aro grande e um espartilho muito apertado.

Era uma época em que mulheres de classes mais baixas tinham trabalhos braçais como de servente, operária, faxineira, etc.

Mulheres de classe média e alta ajudavam nos negócios da família ou eram donas de casa. A ideia de igualdade inspirou mulheres e homens a iniciarem uma revolução que mudaria completamente a sociedade para melhor.

Vejamos o exemplo de Madre Teresa. Nascida em 26 de agosto de 1910, Santa Teresa de Calcutá foi para o Convento de Loreto, em Dublin, na Irlanda, aos 18 anos de idade.

De lá, ela foi enviada para a Índia. Embora não fosse norte-americana, em 1999, foi eleita pelos norte-americanos como “a pessoa mais admirável do século 20”.

Seu objetivo de vida era oferecer ajuda aos necessitados, abrigo aos desabrigados e amor aos desamparados.

Segundo ela: “Que sempre recebamos uns aos outros com um sorriso, pois o sorriso é o início do amor”.

Através de seu trabalho, ela defendia os direitos das pessoas que a sociedade julgava como indignas.

Ela se dedicava inteiramente ao seu objetivo e, dessa forma, se tornou uma das pessoas mais respeitadas e queridas do mundo, e ela era mulher.

Amelia Earhart

Foi a primeira aviadora a voar sozinha sobre o Atlântico. Vocês sabiam que Earhart era tão admirada que as pessoas escreviam para ela dizendo que davam seu nome a seus filhos, a lagos, e às vezes inclusive a pombos?

Earhart disse uma vez: “As mulheres devem tentar coisas, como os homens tentaram. Se falharem, sua falha deve ser um incentivo às demais”.

Essas mulheres incríveis são apenas dois exemplos das muitas pessoas que, ao longo da história, não só derrubaram estereótipos, mas os destruíram.

Destruíram completamente a ideia de que mulher não é forte o bastante ou qualificada o bastante para mudar o mundo.

Os direitos das mulheres são uma das primeiras coisas que vêm à mente, quando pensamos em igualdade.

Obviamente nos traz um sentimento de orgulho e conquista. Isso nos leva de volta à questão: como é possível a igualdade ser injusta?

Vamos primeiro comparar as palavras “igualdade” e “equidade”.

Como podemos ver, ambas têm o radical parecido, que significa “igual”. De início, talvez achemos que a única diferença entre elas são as letras “ig” e “eq”.

Estou aqui hoje pra dizer que essas letras fazem toda a diferença. Se destrincharmos as camadas entre “ig” e “eq”, veremos que “igualdade” e “equidade” têm tanto em comum, quanto “esquerda” e “direita”.

Mas não me entendam mal. Não estou dizendo que a igualdade seja ruim, mas que ela não é a melhor opção em todas as situações, como está.

Pra mim, esta é uma das imagens mais impactantes que já vi. Ela ilustra de forma perfeita um conceito muito difícil de explicar.

Como podemos ver, igualdade representa similaridade, o que é ótimo em algumas situações. Por outro lado, equidade representa justiça, que é a melhor coisa em qualquer situação.

Quando cada criança recebe o mesmo número de caixas, nem todas conseguem enxergar. Quando conseguem a quantidade de caixas que cada uma precisa, todas as três conseguem ver acima da cerca.

Meu pai é professor de ciências de educação especial há 11 anos. Ele diz que a primeira coisa que tem que fazer é determinar qual é o nível atual de habilidade educacional dos alunos e, a partir daí, ele pode adequar as tarefas e provas às atuais necessidades de cada um.

Ele diz que vê seu trabalho como o de alguém que iguala as condições, enxergando cada aluno como apto para ter sucesso.

“Igualar as condições.”

No meu ponto de vista, igualar as condições é dar a cada aluno as oportunidades e ferramentas para competirem como iguais no jogo da vida.

Bem, isso não se aplica apenas a alunos da educação especial, mas a alunos superinteligentes também.

Pesquisas mostram que entre 18 e 25% das pessoas superinteligentes não desenvolvem todo seu potencial.

Elas simplesmente desistem de tentar porque, nada do que fazem leva a sucesso ou satisfação suficientes.

Na minha opinião, isso é inaceitável. A escola deve ser um local onde se aprende e se cresce, mas nem todos os alunos crescem bem sob as mesmas condições.

Por incrível que pareça, as plantas também não. O cacto pode armazenar água por muito tempo. Ele não precisa de atenção e é muito grande e forte.

A orquídea, por outro lado, é uma flor pequena e delicada que precisa da temperatura e quantidade de água exatas para sobreviver.

Se plantarmos uma orquídea no mesmo local que um cacto e esperarmos que ambos floresçam, ficaremos muito desapontados.

Da mesma forma, se plantarmos alunos no mesmo ambiente de sala de aula e esperarmos que todos floresçam, mais uma vez ficaremos desapontados.

Não tirar tempo para pensar em cada aluno como um indivíduo é como dizer a uma flor que ela não é bela e que não merece florescer por suas pétalas não terem exatamente a mesma forma e cor das demais.

Mas o fato é que, se pararmos pra pensar, não há duas crianças nem duas flores idênticas. Imaginem se as escolas tivessem como foco a equidade em vez da igualdade, oferecer aos alunos o que eles precisam em vez de ensinar a todo mundo da mesma maneira.

Acredito firmemente que o ambiente de aprendizagem deve refletir a diversidade de aprendizagem entre todos os alunos de todas as escolas.

Na minha escola, minha turma tem a oportunidade de aprender da forma que melhor nos ajuda a assimilar.

Se pudessem nos ver num dia normal, provavelmente veriam alguns alunos em pé, alguns sentados sozinhos num computador usando fones de ouvido, alguns trabalhando num pequeno grupo e talvez até alguns trabalhando com a ajuda do professor.

Bem, criar essa situação em cada sala de aula não seria nada fácil. Levaria mais tempo, mais esforço, mais mão de obra, mas, no fim, igualar as condições fomentaria a autoconfiança nos alunos e os ajudaria a alcançar todo seu potencial para brilharem mais como nunca antes.

Minha mensagem para cada um de vocês aqui hoje é não ignorar essas letras aparentemente sem importância porque, embora pequenas, elas representam a diferença entre igualdade e equidade, entre justiça e similaridade. E a minha pergunta é: que flor não merece florescer?